Justina Almeida: 32 anos como professora com sensação de dever cumprido

Escrito por Editor JSN . Publicado em São Nicolau


Hoje com 54 anos de idade, 32 dos quais dedicados à causa da educação, Justina Almeida é uma referência para os docentes sobretudo na ilha. Natural da Boa Vista optou por fixar em São Nicolau onde chegou com apenas 21 anos para lecionar em Ribeira Prata


Justina Almeida começou a trabalhar como professora do EBI aos 21 anos de idade, em Ribeira Prata. A ‘menina’ da Boa Vista teve de iniciar a sua carreira com uma turma com 53 alunos da terceira e quarta classes. Depois de 32 anos de serviço na docência e já reformada, Justina faz um balanço positivo dos anos que lecionou

No dia do professor, o JSN realça esta profissão e foi ouvir uma das referências no setor do ensino em São Nicolau. Justina Almeida é uma professora que lecionou durante 32 anos e hoje já se encontra aposentado. Apesar de começar a lecionar muito nova, com apenas 21 anos, a nossa entrevistada diz que as crianças respeitavam-na.


“A minha adaptação foi boa, considero-me uma pessoa adaptável, porque nasci e criei na Boa Vista, e não conhecia São Nicolau e nem as pessoas, mas tive uma receção extraordinária, por parte de familiares de um amigo da minha família”, contou ao JSN.

A professora que hoje é referência para muitas pessoas, diz que não foi professora por necessidade, mas sim porque gostava de ensinar e por isso escolheu essa profissão: “eu era mais velha na minha casa e desde criança, brincava de ser professora”, revelou, assegurando ter desempenhado a sua carreira como vocação e hoje, depois de 32 anos a lecionar tem a sensação de dever cumprido.

Para a nossa entrevistada, o comportamento das crianças de antigamente e os de agora é diferente. Observa que antigamente, poderia aparecer um ou outro aluno com comportamento rebelde, mas nada que se compare como os de agora. A docente diz mesmo que os alunos do seu tempo não pronunciavam palavras obcenas.

Fazendo uma comparação sobre a facilidade de aprendizagem de crianças nestas épocas diferentes, a professora avança que crianças de agora aprendem com mais facilidade, “hoje tem um apoio que antigamente não tinham, agora as crianças vão para o jardim e vêm com uma capacidade motora mais ou menos trabalhada. Nos primeiros tempos que trabalhei tínhamos que pegar as crianças na mão para ensiná-las a escrever com o lápis”.

O ensino atual e o antigo são diferentes, pois no entender da docente antes os professores chegavam na escola e o seu objetivo era incutir no aluno o que sabiam, transmitir os conhecimentos, mas hoje os professores são modeladores e facilitadores de aprendizagem, ele está ali para orientar a aprendizagem.

Justina Almeida defende que todos os métodos têm vantagens e desvantagens, mas não descarta a possibilidade de que no método moderno há necessidade de meter alguma coisa que usavam no método tradicional e explica: “sabemos que dentro de uma turma temos alunos de várias capacidades ou vários níveis de aprendizagem e como temos que diversificar maneiras de ensino, o método utilizado para uma criança pode não servir para outro, por isso temos que ver vários métodos para chegar até onde ele consegue entender e às vezes achamos a necessidade de recorrer ao método antigo”.

Sendo considerada de exemplo para muitos, a professora afirma que sente-se “bem e muito feliz”, apesar de muitas vezes nesta profissão “passamos por situações menos boas, mas quando o trabalho é reconhecido sinto-me dignificada”.

A professora está aposentada desde dezembro de 2014, mas vai dizendo que ainda tem direito a 40 por cento referente aos anos de serviço, por isso espera que os seus direitos sejam resolvidos o mais breve possível, para que possa gozar, em pleno, a sua aposentadoria.

Hoje com 54 anos de idade, com família construída e com casa própria em São Nicolau, ela adianta que sente feliz e muito grata pela função que desempenhou durante 32 anos.

 

 


AC

 

 

 

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