PESCA: Temos museu

. Publicado em São Nicolau

Numa visita guiada às obras do Museu da Pesca, no Tarrafal - que contou com a presença do ministro da Cultura -, deu para perceber que a requalificação do edifício avança a muito bom ritmo e que a instituição já trabalha a todo o vapor. Está já a desenvolver-se investigação, milhares de documentos foram inventariados, perto de quinhentos objetos catalogados e iniciada a base de suporte de videografia


 

O final da manhã deste domingo, 3, foi um regresso ao passado e uma viagem pelo futuro. Ao passado, pelas memórias impregnadas na velha casa de Cadório, o primeiro dono da SUCLA que deu o nome às famosas conservas; ao futuro, porque o espaço ainda em reabilitação física simboliza já o Museu da Pesca do Tarrafal, um projeto que está a projetar para a posteridade a história de tempos passados, mas também a construir lembranças e traços identitários imortais e indeléveis.

Quando ali estivemos no início de junho, as obras de requalificação do edifício ainda nem tinham começado, mas, dois meses depois, são assinaláveis os avanços, sendo de prever que o edifício possa estar totalmente recuperado e pronto a receber o público já em outubro. As obras, da responsabilidade do arquiteto Leonel Brito, foram este domingo visitadas pelo ministro da Cultura, Mário Lúcio Sousa, que veio ao Tarrafal expressamente para o efeito e ficou bastante agradado com o que viu. Entre os convidados, estiveram alguns dos heróis anónimos da história da pesca no Tarrafal e, em particular, da SUCLA, a maior conserveira de pescado caboverdiana, que cedeu as instalações e é parceira de referência do projeto, juntamente com o Instituto da Investigação e do Património Culturais (IIPC) e o Instituto Universitário de Arte, Tecnologia e Cultura (M_EIA), liderado pelo professor Leão Lopes.

Na visita marcaram também presença, entre outros, os presidentes das câmaras municipais do Tarrafal, da Ribeira Brava e de São Vicente, respetivamente, José Freitas de Brito, Américo Nascimento e Augusto Neves. Infelizmente, por se encontrar no Mindelo em tratamento médico, faltou o grande inspirador do projeto, “Nho Djack” Pinheiro. Nada de grave, disseram-nos, mas que impediu a sempre agradável companhia deste jovem de 82 anos.

Museu já funciona

O Museu da Pesca, pese embora não ter ainda aberto as portas ao público, já funciona. Está a desenvolver-se a investigação, que passa, nomeadamente, pela caça da Baleia e pelas novas técnicas de pesca introduzidas no Tarrafal por homens do mar dos Açores (Portugal), contratados pela SUCLA nos anos trinta do século passado. A organização do suporte documental (milhares de documentos já inventariados) e do acervo museológico (perto de 500 objetos já catalogados) segue também a bom ritmo, juntamente com a base de suporte de videografia.

A parceria científica está a ser desenvolvida pelo ME_A e pelo IIPC, que neste momento fazem o “desenho” do tipo de museu que está a ser edificado no Tarrafal. Uma conceção ancorada na corrente da “Nova Museologia”, que sustenta uma instituição desta natureza para além das paredes físicas em que está sedeada.

Sedeado no Tarrafal, o Museu da Pesca não se fecha, contudo, aos limites territoriais do município, sendo antes uma instituição onde se concentra toda a história nacional da pesca caboverdiana, mesmo desde o período em que não tinha ainda grande expressão económica.

A ideia é, de igual modo, interagir permanentemente com a infância a adolescência, trazendo ao espaço jovens alunos e transmitindo a memória e as tradições da pesca e das suas gentes.

Exposições permanentes e pontuais vão constar também das atividades do novel museu, paralelamente a programas educativos e ao trabalho de investigação permanente. Mas o Museu da Pesca conta também com ligações internacionais, nomeadamente aos seus congéneres de New Bedford (EUA) e dos Açores.

Os promotores desta iniciativa publico-privada destacam, também, a relevância que o museu irá ter no desenvolvimento económico do Tarrafal. Na loja de vendas do Museu da Pesca, vão estar patentes produtos para venda da SUCLA, desde os tradicionais a uma nova linha gourmet que conta já com cerca de uma dúzia de artigos, com as chancelas do próprio museu e da fábrica. Mas são previsíveis, de igual modo, os impactos que poderá ter na oferta turística local.

 

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Comentários (1)

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  • Se é verdade que é preciso preservar as memórias do passado não é menos verdade que o passado não resolve os problemas do presente. Ainda bem que a Sucla vem fazendo essa PONTE entre esse passado e o futuro, mas a que custo? Não fosse esse homem que se chama Djack Pinheiro, pela sua polivalencia, obstinação e amiga da sua terra há muito que o Tarrafal e a sua fabrica estariam de cócoras. Falta apoio aos pescadores e um meio de escoar o pescado.

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