FREI HERCULANO: Padre Gesualdo é “uma memória viva”

. Publicado em São Nicolau

A vocação para o sacerdócio já lá estava no seu ser mais profundo, mas foi o convívio de dois anos com o sacerdote italiano que lhe fez aprofundar a ideias e partir para Roma, onde fez os estudos religiosos e se licenciou em Teologia


 

De passagem por São Nicolau, onde se encontra de férias, numa altura em que celebra os 25 anos de sacerdócio, frei Herculano Cruz trocou breves palavras como o JSN, tendo como pano de fundo a figura do saudoso padre Gesualdo (na foto) - um homem e um sacerdote que marcou como poucos a vida desta ilha.

Natural de Cachaço, mas “filho adotivo” do Tarrafal, frei Herculano diz que o religioso italiano é “uma memória” vida que jamais se apagará. Desde janeiro de 1978 a viver em Itália, o frade capuchinho tem sempre presente aquele que foi o seu primeiro orientador espiritual.

Dos 15 aos 17 anos, Herculano Cruz conviveu no Tarrafal com o padre Gesualdo, que foi determinante na sua ida para Roma. Na altura, a vocação para o sacerdócio “já estava mas ainda não era uma realidade certa, no convívio com ele é que se foi aprofundando e surgiu a decisão de ir para Itália para fazer os estudos”, recorda o frade capuchinho.

Muitas vezes é dito que o padre Gesualdo está para além da circunstância do sacerdócio, uma ideia compreendida mas não partilhada por frei Herculano. “Eu não vou separar as duas coisas, não podemos separar a atividade sacerdotal do padre Gesualdo da sua atividade em promover o desenvolvimento para o povo, nem na Itália nem aqui em Cabo Verde”, refere o frade capuchinho adiantando que a “teoria” do padre italiano “era essa” e que “o homem pode perceber a realidade de Deus na sua dimensão humana, porque Deus encarnou para elevar o homem, essa é que era a sua ideia”, sublinha, esclarecendo que “a sua vinda, aqui ao Tarrafal, foi mesmo nesse sentido, uma opção sua”.

Frei Herculano relembra que “o padre Gesualdo chegou a São Nicolau e visitou todas as aldeias, foi ao Juncalinho, Morro Brás e, depois, na segunda fase, veio para Ribeira Prata, Fragata, Praia Branca, Tarrafal… e foi aqui que decidiu ter a sua moradia”, num local onde “não tinha nada, só umas casinhas ali junto à praia e a fábrica do peixe”, refere.

Herculano Cruz, como se disse, reside em Roma, onde é vicepároco de uma comunidade com cerca de 36 mil almas e superior local da Casa dos Capuchinhos.

Na última quarta-feira, 30, celebrou a Eucaristia de Ação de Graças do Dia do Município, um ato religioso que honrou a padroeira da terra, Nossa Senhora dos Anjos.

 

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