TARRAFAL: Arma de serviço do agente que invadiu escola secundária encontrada junto a “boca” de tráfico

. Publicado em São Nicolau

São os novos desenvolvimentos de uma sequência de episódios tristes que têm afetado a imagem da Polícia e degradado a confiança da comunidade na corporação. A população já está farta de não saber bem onde acaba o agente da autoridade e começa o bandido


 

A investigação promovida pelo nosso jornal a propósito dos inusitados acontecimentos do último sábado, 27, - quando um agente da esquadra policial do Tarrafal de São Nicolau invadiu a Escola Secundária Pedro Corsino de Azevedo para se travar de razões com uma aluna menor (alegadamente sua “amante”), que suspeitava ter-lhe subtraído a arma de serviço – continua a ter desenvolvimentos surpreendentes.

No preciso momento em que o agente da Polícia Nacional, com um registo disciplinar pouco limpo, se envolvia naquele que deve ter sido o ato mais disparatado de sua vida – de gravidade acrescida por se tratar de um servidor da ordem pública -, uma chamada telefónica feita por um jovem para a Esquadra do Tarrafal, alertava as autoridades para o facto de uma arma de serviço da Polícia Nacional ter sido encontrada na localidade de Chã de Poça. Como mais tarde se apurou, distribuída precisamente àquele agente. Vá lá que, apesar de tudo, a arma não foi parar às mãos de uma criança, com os riscos que isso implicaria; ou mesmo às mãos de um delinquente.

Relações pouco claras entre policiais e delinquentes

Independentemente de quem tenha subtraído a arma - a suposta “amante” de quinze anos ou outra qualquer pessoa -, uma estranha coincidência converge para o local onde esta foi encontrada: junto a uma residência daquela localidade que, conforme é do conhecimento da comunidade (e, presumimos, seja agora também das autoridades), funciona como autêntica “boca” de tráfico de drogas.

As associações feitas pela comunidade a relações pouco claras entre agentes da autoridade e delinquentes são muito comuns no Tarrafal, e na memória coletiva estão ainda ocorrências infelizes protagonizadas por policiais transferidos do Sal para o Tarrafal por razões disciplinares, que chegaram mesmo a ter expressões mais próximas de um filme de ação rasca, com agentes a exibir a sua “virilidade” atirando tiros para o ar e desinquietando a tradicional pacatez da terra.

Muito questionada tem sido também a atuação do comando regional do Sal da PN ao transferir para o Tarrafal agentes por razões disciplinares, transformando uma terra onde o crime é residual (tendo no topo o furto de animais) num local onde as ocorrências delinquentes e/ou indignas são, precisamente, protagonizados por agentes da autoridade.

Aliás, em abono da verdade, diga-se que, nos últimos dois meses, os casos que geraram mais alarme social tiveram, precisamente, como protagonistas agentes policiais. Desde logo, este mais recente, de invasão da escola secundária, e, anteriormente, o ocorrido por altura do Festival de Praia d’Tedja, quando um agente (depois de se ter embebedado no bar de apoio ao palco do evento) tentou agredir um oficial da polícia e, não satisfeito, andou enlouquecido pelas ruas, de faca na mão, ameaçando matá-lo. Neste caso, o prevaricador em questão recebeu “guia de marcha” e partiu na última sexta-feira, 26, para a cidade da Praia, onde, possivelmente, irá continuar a manchar a sua farda e a desprestigiar a corporação

De igual modo, é conhecida a utilização, aos fim-de-semana (provavelmente beneficiando da ausência do Chefe de Esquadra) de viaturas da Polícia (a alta velocidade e com os “pirilampos” acesos) em noitadas protagonizadas por agentes, com muito álcool, “miúdas” e sabe-se lá mais o quê à mistura.

 

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