CÂMARA MUNICIPAL DA PRAIA: Ulisses leva mandato até ao fim (II)

. Publicado em Grande Entrevista

Quem estava à espera que o presidente da autarquia da capital anunciasse um sucessor, desengane-se. Ulisses reafirma que vai levar o mandato até ao fim, como aliás havia afirmado desde o início. Quanto aos rumores de corrupção, ou de que utiliza bens públicos a favor do seu partido, desafia: apresentem provas


 

Particularmente desde o período em que anunciou a intenção de se candidatar à liderança do partido, a Câmara tem sido alvo afincado da oposição municipal. Entre situações que o executivo tratou de forma menos adequada, principalmente por deficiências de comunicação, até a insinuações e boatos, a verdade é que a Câmara Municipal da Praia nunca havia sido sujeita a tanta pressão. Fala-se em corrupção, mas nunca foram apresentadas provas. No entanto, Ulisses Correia e Silva admite que a Câmara, como qualquer instituição, não é imune ao fenómeno, por isso, diz, têm sido aprimorados todos os mecanismos de controlo.

A pressão sobre a Câmara e os ataques ao atual líder ventoinha não são de hoje, em vésperas das eleições autárquicas de 2012, assistiu-se ao mesmo fenómeno e Ulisses ganhou de uma forma esmagadora. O presidente do MpD reage com naturalidade e desafia os seus opositores a apresentarem factos em vez de insinuações e pequenas intrigas.

JSN - No que respeita à Câmara Municipal da Praia, há várias acusações que lhe fazem, nomeadamente, que utiliza os bens municipais a favor do seu partido. E há um exemplo recorrente: na convenção que o elegeu para a liderança do MpD, fez-se transportar na viatura oficial.

Ulisses Correia e Silva - Primeiro, eu não utilizo bens do Estado para benefício partidário, nem para benefício próprio. Segundo, a viatura é de função pessoal, enquanto presidente de Câmara. O Primeiro-ministro, quando vai a congressos do PAICV, faz-se transportar no carro do Estado, quando vai fazer uma reunião do partido vai com o carro do Estado. O carro é atribuído ao presidente de Câmara, e todo o mundo sabe que eu sou presidente do partido. Portanto, não há nenhum inconveniente de utilizar a viatura do Estado para a convenção do meu partido, até para uma reunião de uma comissão política concelhia eu o faço.

Mas não numa campanha eleitoral.

Claro. Quando entramos numa campanha eleitoral, é outra coisa, somos obrigados a fazer essa suspensão. Isso é uma das coisas que está a um nível muito mesquinho. Lembro-me até, quando a Câmara comprou a viatura, fizeram um grande barulho, mas o Primeiro-ministro tem esses tipos de carro.

Aliás, o delegado do MDR, aqui em São Nicolau, usa o mesmo tipo de viatura.

Sim. Isso são pequenas coisas de que nem vale a pena falar.

Fala-se, também, que há corrupção na CMP, embora ninguém a associe ao seu nome em particular.

Nenhuma instituição está imune a isso, mas tem que se apresentar provas. O que nós temos estado a fazer? A adotar um conjunto de mecanismos, de instrumentos e de regras para reduzir ao máximo a probabilidade de haver atos de corrupção. Regras de controlo, de informatização.

Mas admite que pode haver corrupção na sua câmara?

Eu disse admitir que nenhuma instituição está imune. Agora, se nós tivermos conhecimento de casos concretos, agimos.

Por exemplo, referiram-me uma empresa de construção que, alegadamente, tem sido (ou foi) claramente beneficiada pela câmara. Não me foi possível confirmar se esse benefício terá sido ao nível da execução de obras, mas terá sido ao nível dos pagamentos. Que os pagamentos a outros fornecedores esperam demasiado tempo e esta empresa recebe sempre dentro dos prazos.

Que se prove, isso são coisas dizem, mas é preciso provar. Este é um domínio que dá para muitas coisas. Por exemplo, há um contrato com determinada empresa, mas a partir daí tirar-se a conclusão que há uma contrapartida… Cria-se um clima de especulação e eu prefiro que se apontem as coisas claramente. Nós até temos linhas abertas de denúncias, que podem ser anónimas, quer no site da Câmara quer no Facebbok, ou por via telefone. Denúncias que as pessoas podem fazer e, depois, faz-se a investigação.

Não há uma predisposição para abafar ou conviver com atos de corrupção, como existia anteriormente. Isso dá-nos a garantia de que, efetivamente, tentamos blindar a Câmara Municipal a esses processos.

Quanto ao seu mandato, há críticas no interior do seu próprio partido que vão em dois sentidos. Por um lado, a sua manutenção como Edil, torna a Câmara vulnerável aos seus opositores políticos; por outro, esta manutenção prejudica a sua ação como líder, transformando-o num presidente do MpD a meio tempo. Quem o vai suceder?

Primeiro, eu disse, desde o início, que iria conciliar a minha presença, enquanto presidente da Câmara e do partido, até ao fim. O Primeiro-ministro é presidente de um partido político…

Mas, ainda assim, há uma diferença substantiva.

Mas é praticamente a mesma coisa, ele é chefe do governo e é chefe de um partido. Portanto, tem de ter a capacidade de conciliar, é praticamente a mesma coisa mas em domínios diferentes. Sou presidente da Câmara e presidente de um partido político, não há nenhuma incompatibilidade entre essas duas funções. Obriga é a maior gestão do tempo, de planeamento e organização da minha agenda, e isso estamos a fazer.

Segundo, nós não fazemos sucessões. Dentro do MpD, para se ser presidente de Câmara as pessoas têm de concorrer, têm de haver regras e será escolhido aquele que tiver melhores condições de afirmação, nomeadamente junto dos militantes do MpD e na sociedade, para podermos avaliar as candidaturas. Não temos um número dois na câmara, mesmo a lógica da feitura da lista não foi pensada assim. A substituição não é feita de forma administrativa, mas sim quando se der o período das eleições.

E é uma substituição feita com critérios políticos.

Claro. Apenas há uma substituição que é feita administrativamente, por exemplo, quando o presidente viaja, uma substituição temporária, transitória, e com poderes limitados.

AAP

 

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Comentários (1)

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  • isso mesmo doutor Ulisses estou muito contente com o seu serviço vc esta de parabéns pode contar comigo porque eu sou teu fão

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