Mário Moreira: "Fazer melhor e ir mais longe" pelos idosos

Escrito por Editor JSN . Publicado em Grande Entrevista

O presidente da Cruz Vermelha de Cabo Verde, Mário Moreira, defende que é preciso mudar a abordagem de apoio e proteção dos idosos, primeiro chamando atenção as famílias e depois cobrindo de facto no caso em que não haja a própria proteção do idoso

 

 

Uma caravana composta por cerca de 50 participantes esteve durante 5 dias na ilha de São Nicolau. A visita está enquadrada na segunda edição da Caravana de Amizade que é uma iniciativa do conselho local da Cruz vermelha de São Vicente. Este ano o projeto foi um pouco mais ambicioso, abrangendo as ilhas de São Vicente, Santo Antão, Sal e os jovens voluntários de São Nicolau.

O JSN esteve à conversa com o presidente da Cruz Vermelha, Mário Morreira, que avançou que futuramente será construído um centro multiuso no município do Tarrafal e já há disponibilidade por parte da autarquia para cedência de terreno, agora a Cruz Vermelha vai procurar financiamento, fundamentalmente internacional.



JSN - Qual foi o objetivo da visita da Caravana da Amizade a São Nicolau?

Mário Moreira - O grande objetivo deste programa tem a ver com o reforço de amizade e intercâmbio entre os voluntários, mas também este reforço é feito na base de uma observação e auscultação social. Portanto, dos problemas que são vivenciados pelos jovens fundamentalmente na ilha onde acolhe a caravana, troca de experiência entre a juventude e reforço de amizade.

 


Durante o festival de Praia d'Tedja a caravana teve a oportunidade de montar uma tenda de primeiros socorros.
Como considera a ação desenvolvida durante estes dois dias de festival?

Aqui em São Nicolau tivemos o momento especial, pois a deslocação coincidiu também com a realização do festival e os jovens tiveram a oportunidade de montar uma tenda de primeiros socorros para acompanhar em termos preventivos a realização do festival. Felizmente, tudo correu bem, na ilha de São Nicolau, no município do Tarrafal, o ambiente ainda é muito calmo, e por isso não houve nenhum problema maior. O festival correu bem e houve também uma oportunidade por parte dos jovens de não só potenciar a imagem da Cruz Vermelha, mas também de dar a sua contribuição fazendo a ligação entre o útil e o agradável.

 


O JSN sabe que esteve reunido com os presidentes das câmaras do Tarrafal e Ribeira Brava. Que novidades saíram dessas reuniões?


No Tarrafal estivemos a analisar as parcerias existentes. A Cruz Vermelha e Câmara Municipal do Tarrafal têm um projeto que funciona há muito tempo que é o centro de dia de idosos, e é um projeto que já está em funcionamento há mais de 10 anos e que visa minorar um pouco o sofrimento dos idosos aqui que não têm a proteção familiar.

Nós também estivemos a discutir a possibilidade da construção futura de um centro multiuso da Cruz Vermelha aqui no do Tarrafal e vamos claramente trabalhar nesse sentido. Já há disponibilidade por parte da câmara para cedência de terreno e nós vamos montar o projeto e buscar o financiamento, fundamentalmente internacional, pois a nível interno há dificuldades financeiras.

Estivemos na Ribeira Brava em encontro também com o presidente, não só cumprimentando em termos de cortesia, mas acima de tudo também para inteirar sobre alguns aspetos de funcionamento do município e da própria Cruz Vermelha. Na Ribeira Brava por se tratar de um município mais antigo, o projeto de cooperação já é mais sustentável: temos o centro de dia de idosos com mais idosos, temos viaturas, temos uma rede de voluntários, temos parcerias com a câmara, o CDS, delegacia de saúde, por isso já é uma parceria consolidada e é isso que vamos também procurar trazer aqui para o Tarrafal.

 


Durante a estada na ilha, quais foram as atividades desenvolvidas pelos jovens voluntários?

Os jovens tiveram a oportunidade de conhecer a ilha, fizeram algum trabalho no campo social, com distribuição de donativos abrangendo a camada mais vulnerável. Houve intercâmbio desportivo, momentos culturais, os jovens tiveram a oportunidade de cumprimentar alguns poderes públicos e fizemos também percursos a alguns sítios históricos da ilha, como por exemplo à sede do Parque Natural de Monte Gordo, aeroporto da Preguiça, Juncalinho, Delegacia de Saúde da Ribeira Brava, e visitamos vários sítios no Tarrafal.



Os objetivos foram cumpridos?

Foram atingidos na medida em que reforçamos o intercâmbio entre os voluntários, porque entendemos que conhecendo melhor é uma forma dos voluntários prestarem um melhor serviço a Cruz Vermelha. A Cruz Vermelha não pode de facto viver só de projetos sociais, vive da organização e da alma dos voluntários e essa forma de reforçar amizade ajuda-nos a estimular e a fazer uma melhor participação.
Além disso, saímos claramente reforçados primeiro porque não há possibilidade de visitar a ilha frequentemente, temos de fazer um esforço a nível central e é uma oportunidade que nós aproveitamos também para auscultar a dinâmica social, num momento em que o país também tem alguma dificuldade financeira.
A estadia correu bem não só pela boa vontade, mas também pelo envolvimento de todos os poderes e todas as instituições.

 


Está satisfeito com o trabalho desenvolvido pela Cruz Vermelha local?


Nós também podemos inteirar da organização e funcionamento do nosso núcleo local, portanto o conselho local do Tarrafal sobre a liderança do Dr. Cláudio Silva, inteirando das diversas vertentes e pespetivando melhorias na organização e funcionamento do nosso conselho local.

Estamos satisfeitos, embora o objetivo é sempre melhorar e fazer mais, e o lema da Federação Nacional da Cruz Vermelha até 2020, "Fazer melhor e ir mais longe", por isso assumimos plenamente o slogan. Há aqui abordagens diversas que devem ser feitas: primeiramente a abordagem a nível da terceira idade pode ser melhor dinamizada, porque temos idosos que de facto não têm nenhuma proteção familiar ou seja não tem família, a Cruz Vermelha, a câmara municipal e outros poderes têm que proteger essa camada. Mas também há idosos que têm família que podem estar protegidos pela família mas o que precisam é de atividades dinamizadores, em vez das pessoas terem uma vida monótona, com riscos na saúde. É necessário organizar atividades culturais, deslocações, passeios convívios, criar outros mecanismos dos idosos terem uma vida digna dinâmica e claramente que por último ter um envelhecimento mais digno e mais saudável. Por isso o grande objetivo e vamos continuar a ver o desenvolvimento social aqui no município e se for necessário vamos reforçar essa vertente. Mas eu creio que temos todas as condições e em comunhão com as famílias proteger os nossos idosos na família.

 


Depois dessa segunda edição da Caravana da Amizade, o que deve ser mudado?


Não só aqui no Tarrafal, mas é uma opinião que está a ser formada, quotidianamente: precisamos mudar a abordagem de apoio e proteção dos idosos, primeiro chamando atenção das famílias e depois cobrindo no caso em que não haja a própria proteção do idoso, portanto onde há famílias com condições os idosos devem manter no seio familiar e sem esquecer as atividades. Onde há idosos em qualquer parte de Cabo Verde que não têm recurso, eu acho que estará a Cruz Vermelha, as câmaras municipais, e outras instituições para protegerem estes idosos.



Que outros problemas também preocupam a Cruz Vermelha?


O alcoolismo neste momento é um problema de saúde pública em Cabo Verde, um problema que já está na agenda nacional e a Cruz Vermelha quer dar a sua contribuição. Se não vamos conseguir proibir o uso abusivo do álcool, vamos tentar controlá-lo. Portanto nos próximos tempos vamos desencadear campanhas de sensibilização e informação no sentido de diminuir o consumo do álcool, porque dizer que o problema do alcoolismo vai acabar é impossível, então temos que ter a consciência clara que a melhor forma de combater esse problema é ajudar as pessoas que autorizam ou que usam bebidas alcoólicas a diminuírem o consumo.

Portanto isto faz-se a nível da ocupação de tempos livres, escola, desporto e da própria família na educação dos jovens, por isso temos que ter esse combate assumido numa perspetiva coletiva, portanto é toda a sociedade e se fizermos isso em conjunto a probabilidade de sucesso é maior.

 

 

A Caravana da Amizade 2015 era composta por 30 jovens de São Vicente e Santo Antão, 5 da ilha do Sal, 10 do município da Ribeira Brava e os restantes do Tarrafal. Só em termos de visitantes estávamos com cerca de 45. Também a direção do concelho local e alguns jovens voluntários locais.

A Caravana da Amizade teve a sua primeira edição no ano passado onde reuniram jovens voluntários da Cruz Vermelha de São Vicente e Santo Antão.

 

 

Anísia Campinha

 

 

 

 

 

 

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