JOSÉ JÚLIO FORTES: tudo mudou quando encontrei-me com Jesus

Escrito por Editor JSN . Publicado em Grande Entrevista

“Os meus sonhos e planos eram outros. Mas tudo mudou quando encontrei-me com Jesus, ou melhor, quando eu fui encontrado por Jesus”, disse ao JSN momentos da sua ordenação que acontece hoje na Ponta do Sol


A comunidade cristã da Ponta do Sol na ilha de Santo Antão está em festa. É que hoje, domingo, é ordenado presbítero um filho daquela comunidade, o primeiro padre da paróquia de Nossa Senhora do Livramento. O diácono José Júlio Fortes optou por ser um sacerdote diocesano para estar mais próximo do bispo. Ele é filho de Júlio César Fortes e de Maria do Rosário Delgado, nasceu a 25 de janeiro de 1987 em Ponta do Sol, no concelho da Ribeira Grande na ilha de Santo Antão. Foi batizado no dia 21 de setembro de 1997 e a 12 de novembro de 2004 pelas mãos do então bispo de Mindelo, Dom Arlindo Furtado, recebeu o sacramento do crisma na sua paróquia de origem.

Em Ponta do Sol estudou até o 8.º ano e concluiu o 12.º ano na Escola Suzete Delgado na Ribeira Grande. Entre abril e julho de 2006 fez a sua primeira experiência vocacional na paróquia de Nossa Senhora do Rosário, Santo Antão, e seguiu depois para Portugal para os estudos superiores tendo passado, primeiro, pelo seminário diocesano de Leiria-Fátima onde fez o ano própedêutico, e depois, entre 2007 e 2013 pelo seminário de Évora onde estudou teologia e filosofia e fez a ademissão nas ordens sacras.

Iniciou o seu estágio pastoral na paróquia de São de Deus em Lisboa, onde também recebeu o ministério de Leitor a 15 de dezembro de 2013, tendo concluído o seu curso com Mestrado Integrado em Teologia na Universidade Católica Portuguesa de Lisboa em abril de 2014.

No mesmo ano regressa a Cabo Verde, dando continuidade ao seu estágio pastoral na paróquia de Nossa Senhora da Luz, em São Vicente, de onde recebeu o ministério de Ácolito a 8 de junho e, ordenado diácono transitório no dia 19 de outubro de 2014. Hoje, o diácono José Júlio é ordenado na ordem dos presbíteros, este que é o quinto padre da Diocese de Mindelo, o primeiro da zona da Ponta do Sol.

 

JSN - Este domingo, 19, o diácono José Júlio Fortes será ordenado padre do clero da diocese de Mindelo. O que o motiva para esta opção de vida?

José Júlio Fortes - Para qualquer vocacionado, a motivação é Jesus Cristo e eu não fujo à regra, pois é Ele que é razão de ser da nossa vocação, que neste caso é ser padre.


Ser padre é a sua primeira opção de vida ou já teve outras opções e mudou de “alvo”, digamos assim?


Aqueles que conhecem a minha história de vida, sabem que a minha vocação teve uma peculiaridade, por vezes diferente do comum. Muitos, desde a infância, conseguem reconhecer a voz de Deus que já os vocacionava. Nesta fase nunca pensei em ser padre e nem poderia imaginar tal coisa. Os meus sonhos e planos eram outros. Mas tudo mudou quando encontrei-me com Jesus, ou melhor, quando eu fui encontrado por Jesus. Sem saber o que Ele queria de mim, deixei-me ir atráz deste “louco” que deu a vida por mim. Pórem, pouco a pouco, Jesus foi seduzindo-me, a ponto de eu querer corresponder intensamente a Ele.

 

Há quem diga que se vive uma crise de vocações na igreja. É verdade ou já houve mais crises do que agora?


Para mim não há crise de vocações, porque Deus chama sempre e continua a chamar. Mas o que há é a crise das respostas da nossa parte, porque hoje desconhece o Deus revelado em Cristo.

Na minha ótica, aqui na nossa pequena diocese de Mindelo, não podemos falar em crise de vocações. Graças a Deus temos tido vocações segundo o desejo da sagrada Providência.

Se não me falha a memória, a nossa diocese tem pouco mais de 10 anos de existência e até aqui temos tido um número razoável de vocações. Não só diocesanos, mas também para as outras congregações religiosas, sobretudo na ilha de Santo Antão.


Quando nasceu em si ou quando deu conta que queria ser padre?


A nossa vocação antecede-nos. Pois nós somos chamados a sermos santos como o nossso Deus é santo. Agora, apercebi da vocação sacerdotal na minha vida, quando terminei 12.º ano, portanto tinha 18 anos.


Há alguem de forma especial que o ajuda nesta descoberta vocacional?


O padre Ima, meu pároco de então, ajudou-me a perceber que Deus estava a me chamar para ser padre. Deus serve de inúmeros instrumentos para chamar os homens. Já agora agradeço ao Sr. Padre Ima, que Deus lhe recompece!


Porquê diocesano e não uma ordem religiosa?


A minha paróquia sempre teve padres diocesanos, daqui nasce a minha vocação diocesana, que é estar diretamente ligado ao bispo.

 

 


Anísia Campinha

 

 

 

 

 

 

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