A situação da família “é muito preocupante” – Superintendente David Araújo

Escrito por Editor JSN . Publicado em Grande Entrevista

A igreja do nazareno tem participado e apoiado muitas famílias cabo-verdianas e segundo o seu Superintendente, os problemas sociais podem ser minimizados com o envolvimento de todas as pessoas e instituições



O pastor David Araújo sublinha que a desintegração familiar é antiga mas reconhece “resultados positivos”.
Nas linhas que se seguem, o nosso entrevistado fala da ação da sua igreja sobretudo no campo social e não deixa de aflorar a insegurança que a seu ver começa na família.


JSN - Como considera a situação da família atualmente em Cabo Verde?


David Araújo - A situação da família é muito preocupante, e isso remete-nos ao nosso passado, quando os colonizadores chegaram a Cabo Verde e muitos deles eram casados em Portugal. Em Cabo Verde houve muitas crianças sem o nome do pai, mas ainda muitos continuam no vazio de informação, talvez por falta de conhecimento.
A desintegração familiar vem desde a antiguidade, mas estamos a ter resultados positivos e estamos contentes porque várias organizações têm estado mais cientes do papel da família na sociedade. Acredito que com o envolvimento de todos essa situação tornar-se-á menos preocupante e será mais fácil resolvê-la.



A segurança é um problema que a cada dia tem preocupado mais as autoridades e as pessoas no geral. Entretanto, ao invés de melhorar a situação está a piorar?


Eu percebo que o problema começa na família, porque os pais têm pouco tempo com os filhos. Passam mais tempo na rua, ou em casa de vizinhos e hoje temos também os meios de comunicação que acabam por tornar um problema. Várias pessoas no mesmo espaço e preocupam-se mais com as que estão longe.
As pessoas não têm o apoio familiar e começam a enveredar pelos caminhos da criminalidade.



O que a vossa igreja tem feito para colmatar o problema da pobreza, visto que a cada dia ficamos a conhecer famílias que enfrentam a pobreza e sem soluções a vista?


Nos primeiros anos investimos muito na educação, mas hoje há dificuldades em encontrar o primeiro emprego, porque temos muitos jovens recém-formados que não têm conseguido a integração. Mas temos feito esforços para apoiar essas famílias, e por isso fazemos a avaliação do nosso percurso, acho que esse contexto e no momento que estamos a viver há necessidade de fazer uma grande abertura para resolver a questão da pobreza. Desde logo já temos iniciativas, mas nem todas as iniciativas tem surtido efeitos imediatos.



Como considera a situação política do país neste momento?


Acho que estamos numa boa fase e ainda em aprendizagem. Tivemos 15 anos de partido único, e portanto tem sido um tempo de apreender.
A igreja do nazareno foi sempre muito aberta e temos muitas pessoas da nossa igreja que hoje ocupam lugares importantes na política cabo-verdiana e temos uma mente emancipada em relação à libertação e também isso passa pela nossa igreja e a dignidade humana que esteve sempre presente.
Também na questão de equidade de género, a igreja foi sempre aberta. No início, as mulheres da nossa igreja não desempenhavam o papel de pastoras mas hoje já temos várias pastoras na nossa igreja.
Temos contribuído para que a população tenha uma consciência mais elevada e também um projeto na sociedade, na política e na igreja.



O que a igreja nazarena tem feito para tentar minimizar os muitos problemas que afetam a sociedade cabo-verdiana?


A função da igreja é espiritual, e o nosso principal papel é apresentar mensagem de evangelho, mas também em termos sociais a igreja é sensível e muitas vezes os trabalhos são de a nível de intervenções sociais que não são “publicitados”.
Mas temos ajudado também a nível da educação, com bolsas de estudo sobretudo a pessoas carenciados, idosas e doentes.
A igreja intervém em todas as áreas e hoje temos necessidades crescentes e temos estado a desenvolver no âmbito social. Estivemos no Fogo na última erupção vulcânica, numa ação de poder ajudar as pessoas mas trabalhamos em projetos. A igreja tem parcerias com a comissão nacional de combate à droga, luta contra o alcoolismo, doenças sexualmente transmissíveis, com a associação A Ponte, o conselho nacional da família: temos um vasto leque de participação em que a igreja está presente para minimizar os problemas sociais.

 

 


Anísia Campinha

 

 

 

 

 

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