Comunidade crioula mobiliza mais de 62 mil euros em apoio para Chã das Caldeiras – Cônsul de Cabo Verde em Holanda

Escrito por Editor JSN . Publicado em Grande Entrevista

Cônsul de Cabo Verde em Holanda garante que comunidade está empenhada em apoiar as vítimas da erupção vulcânica. Mais de 62 mil euros, em dinheiro e equipamentos, seguiram para o Fogo, através da Cruz Vermelha. Uma campanha promovida pelo movimento Halp Fogo que vai continuar a mobilizar apoios para as vítimas da erupção do dia 23 de novembro


Tal como aconteceu em 1995, e logo que começaram a ser divulgadas notícias sobre a entrada em erupção do vulcão da ilha do Fogo, a comunidade cabo-verdiana em Holanda associou-se em um movimento espontâneo denominado Help Fogo, para angariar ajudas destinadas à população afetada e sobretudo dirigida aos deslocados de Chã das Caldeiras. Recentemente a Help Fogo, fez um balanço bastante positivo da primeira parte desta louvável iniciativa, que contou desde a primeira hora com o apoio do Cônsul Geral de Cabo Verde na Holanda, Belarmino Monteiro Silva.

Numa altura que parece que o vulcão quer dar uma trégua aos foguenses, o JSN convidou o Cônsul de Cabo Verde em Holanda para um balanço sobre esta iniciativa da comunidade em prol dos irmãos de Djarfogo.

Belarmino Monteiro Silva é cônsul geral em Holanda desde 21 de novembro de 2012. É natural do Tarrafal de Santiago onde nasceu a 12 de fevereiro de 1967. É licenciado em Economia, pela Universidade de Matanzas “Camilo Cienfuegos” e possui várias formações e pós‐graduações. Está na carreira diplomática desde dezembro de 1997 e é, atualmente, conselheiro de embaixada do primeiro escalão e exerceu várias funções nos serviços centrais do ministério das Relações Exteriores.

Jornal de São Nicolau – Gostaríamos de registar e conhecer a opinião do Sr. Cônsul em relação à reação da comunidade cabo-verdiana em Holanda, depois de ter tido conhecimento da erupção vulcânica, no Fogo.

Belarmino Silva - A reação da nossa comunidade foi, como era de se esperar, de bastante emoção e preocupação, tendo desencadeado, imediatamente, uma onda de solidariedade a favor das populações deslocadas de Chã das Caldeiras. Criou-se um movimento denominado Help Fogo, cujo fundamento é a mobilização de todo o tipo de apoio possível, destinado aos deslocados da Chã das Caldeiras.

Sabemos que um contentor de 20 pés seguiu viagem no dia 10 de dezembro para Cabo Verde. Que tipo de ajuda comporta este contentor?

Já partiram da Holanda dois contentores. O primeiro, no do dia 10 de dezembro, de 20 pés, como fazes referência, contendo sobretudo alimentos não perecíveis, produtos de higiene e limpeza, material médico­hospitalar e roupas. Um segundo contentor, duas vezes maior, ou seja de 40 pés, com alimentos, cerca de 70 camas novas, roupas e outros materiais, partiu no dia 23 de dezembro.

Na Holanda existem algumas empresas que têm certas afinidades com Cabo Verde. Haverá a possibilidade de terem sido contatadas no sentido de ajudar as vítimas do vulcão?

A comissão do movimento Help Fogo contactou, além da comunidade cabo-verdiana radicada na Holanda, empresas e instituições não­governamentais, que se associaram desde o primeiro momento a essa onda de solidariedade. As grandes superfícies de comercialização de produtos alimentares, fizeram grandes doações e conseguiu-se em poucos dias encher por completo os dois contentores. Além disso, as próprias empresas e cidadãos holandeses amigos de CaboVerde, assumiram os custos de envio dos contentores, o que quer dizer que mesmo antes de se iniciar as coletas dos donativos, já se tinha a garantia de financiamento do envio até ao destino dos bens doados.

A Help Fogo é uma iniciativa do consulado ou da comunidade? Como tem havido uma articulação entre as duas instituições?

O Help Fogo é uma iniciativa da própria comunidade que espontaneamente se auto-organizou, para apoiar a população do Fogo afetada pela erupção. O consulado, como era de esperar, associou-se, imediatamente, ao movimento, dando todo o apoio logístico possível para o bom desenrolar do processo. Disponibilizou o espaço da cave para o armazenamento, triagem e empacotamento dos materiais, e indigitou um funcionário para trabalhar com a comissão até às 20 horas de cada dia na receção dos donativos.

Já falamos sobre a ajuda material, agora queríamos perguntar-lhe se em termos financeiros a comunidade e as empresas têm contribuído e como está a situação neste momento em termos de ajuda?

O consulado geral também disponibilizou uma conta bancária para o depósito e transferência de donativos em dinheiro, destinados aos deslocados da Chã. Mais uma vez destacou-se o envolvimento incondicional da comunidade que se associou de corpo e alma ao projeto e conseguiu-se arrecadar mais de 12 mil e 800 euros de ajuda. Os cabo-verdianos, de norte a sul da Holanda, mobilizaram-se em prol do movimento, organizando atividades de angariações de fundos e sensibilizando as pessoas individuais, empresas e instituições a fazerem as suas doações.

No cômputo geral, a campanha levada a cabo pelo movimento Help Fogo, rendeu mais de 62 mil euros, entre produtos de primeira necessidade e donativos financeiros.

Em Cabo verde quem é o receptor responsável para canalizar essas ajudas para as vítimas do vulcão?

Como é conhecido, o governo criou um gabinete de crise para fazer face à situação decorrente da erupção vulcânica, minimizando os impactos ambientais nefastos, garantindo a ordem, a assistência e o bem-estar às populações. Os dois contentores foram enviados para a Cruz Vermelha de Cabo Verde e as ajudas financeiras transferidas para o número de conta respetiva, indicada pelo gabinete de crise.

Recentemente, o artista TIkay, conhecido humorista cabo-verdiano, esteve num show em que se mobilizou alguma ajuda para o Fogo e com a participação ativa do Cônsul. Podia falar-nos dessa atividade?

Foi uma atividade de promoção do último trabalho do artista onde a comissão Help Fogo deu oportunidade de levar a cabo a campanha de angariação. O próprio artista Tikay associou­se ao movimento e fez várias declarações em prol do mesmo. Como é óbvio, o Cônsul não podia faltar a esse apelo e também se associou ao movimento fazendo declarações encorajadoras. Aproveito para felicitar o artista Tikay, pela excelente apresentação e pelo apoio incondicional dado ao movimento Help­Fogo

Julgamos que a última iniciativa da Help Fogo aconteceu a 20 de dezembro, com uma festa de angariação de fundos. Pode falar-nos sobre essa iniciativa?

Essa foi também, uma das atividades levadas a cabo para angariação de fundos. Um dos membros do movimento é da área de produções e eventos, e teve a feliz iniciativa em propor essa festa, em que todos os fundos resultantes da venda de bilhetes destinaram­se à população do Fogo. O processo decorreu com toda a transparência possível e os fundos arrecadados foram depositados na conta para o efeito.

Até quando esta conta bancária vai permanecer ativa?

A conta bancária continua ativa, até porque existem mais atividades de angariação de fundos programados para os próximos dias. Penso que enquanto houver deslocados, a companha deve continuar e que esforços devem ser feitos nesse sentido. A recolha de bens está neste momento suspensa até quando a comissão tiver garantias de financiamento de envio de um novo contentor. Entretanto, a conta bancária pode permanecer aberta até um novo balanço da comissão do movimento Help Fogo, prevista para janeiro próximo.

 

 

Norberto Silva | em Roterdão, Holanda

 

 

 

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