MANUEL INOCÊNCIO: CVTelecom aposta na “cidadania empresarial”

. Publicado em Grande Entrevista

De passagem por São Nicolau, para fazer entrega das primeiras duas salas multimédia, o PCA da empresa de comunicações esteve em conversa com o JSN, passando em revista a estratégia deste grupo empresarial, de que a componente social é uma das apostas


 

Sereno e simpático, sem ser excessivo, Manuel Inocêncio Sousa fala animado, mas contido, da sua mais recente frente de combate e percebe-se gostar muito do que faz, particularmente, da aposta do Grupo CVTelecom naquilo a que chama “cidadania empresarial”.

Na entrevista breve, à margem da inauguração da Sala Multimédia, no Tarrafal, Inocêncio revelou não desdenhar um regresso à política ativa, embora admita não ter saudades.

JSN - Este projeto da CVMóvel, de dotar os municípios de salas multimédia, é para estender a todo o território nacional?

Manuel Inocêncio Sousa – Sim, é um projeto para todo o País, embora nós tenhamos começado por aqui, por São Nicolau. Mas é, de facto, um projeto abrangente e é um dos projetos que está no nosso programa de contributo para o desenvolvimento da sociedade de informação. Nós temos um compromisso assumido com a concessão da licença de 3G, e o nosso contributo para a sociedade de informação inclui várias intervenções. No fundo, todas elas viradas para facilitar o acesso às tecnologias de informação e comunicação.

E temos projetos pelos vários segmentos: virados para o setor empresarial, para a Educação (com um forte contributo no programa Mundo Novo) e para a população em geral. E estes centros multimédia são mais virados para o acesso livre.

Estes projetos em que a CVMóvel está empenhada sublinham uma coisa importante, que é o papel social das empresas. Ou seja, as empresas são, naturalmente, instrumentos de negócio, mas neste caso também se percebe uma grande preocupação do Grupo CVTelecom em ajudar ao desenvolvimento social do país.

O grupo inclui três empresas: CVTelecom, mãe; CVMóvel e CVMultimédia. É um grupo que, desde há muitos anos, abraçou, digamos, o exercício da cidadania empresarial. A assunção de uma responsabilidade social em Cabo Verde, com consistência. Nós temos, verdadeiramente, uma política, temos uma estratégia, temos áreas prioritárias de intervenção: a Educação, a Saúde, a Solidariedade Social e o Ambiente são as principais prioridades. Depois, temos intervenções relativamente fortes na Cultura e no Desporto. E a ideia é a empresa, para além do seu negócio – o serviço de telecomunicações que é fundamental para o desenvolvimento do país -, trazer o nosso contributo para o desenvolvimento social equilibrado e solidário. Daí que dediquemos um orçamento específico para esse tipo de intervenção.

Nota-se que essa preocupação da empresa se acentuou desde que assumiu a presidência do grupo, por um lado, mas provavelmente também está associada ao facto de ter agora uma concorrente mais forte. Há esses dois fatores.

Eu não diria que há um acentuar da intervenção da empresa nesse domínio, pode ser é que tenha ganho mais visibilidade…

Talvez até pelo facto de Manuel Inocêncio Sousa ser uma figura muito conhecida.

Pode ser que isso chame mais atenção das pessoas, mas a empresa desde há alguns anos que adotou esta política e vem tendo orçamentos significativos.

E a concorrência, veio também ajudar a espevitar a empresa?

Nesta matéria, não, até porque não me apercebi que a concorrência tenha uma intervenção deste tipo. Mas do ponto de vista do negócio, certamente que espevita para uma cada vez melhor prestação de serviços, com maior proximidade aos clientes. E a CVMóvel está a ter um bom desempenho nessa matéria.

Achei interessante uma coisa que, aparentemente, contraria tudo o que se sabe sobre a eficácia do marketing – e, neste caso, ainda bem -, ou seja, a entrega das primeiras salas multimédia na ilha de São Nicolau. Quando o podia ter feito na Praia, onde teria as televisões e os jornais todos. Dava uma ampliação do efeito que não terá, propriamente, nesta ilha.

Este projeto das salas multimédia tem muito mais impacto numa ilha como São Nicolau.

Sim, tem mais impacto junto das pessoas, mas referia-me ao impacto mediático.

Na nossa política de responsabilidade social não procuramos especialmente o impacto mediático. O impacto mediático procuramos noutras áreas. Mas quando tratamos de responsabilidade social, o nosso objetivo é, efetivamente, contribuir. O impacto mediático consegue-se com a ação de marketing, mas aqui, na responsabilidade social, nós queremos é trazer um contributo onde ele é mais preciso.

Quais são a próxima ilha e os próximos municípios?

Sinceramente não sei, mas isto vai continuar, no entanto, depende da dinâmica dos municípios, da disponibilidade de espaço. Trata-se de uma parceria com as câmaras municipais. Para avançarmos dependemos da iniciativa das autarquias. Em São Nicolau houve logo essa disponibilidade, e penso que com soluções interessantes. A integração dos espaços multimédia nas bibliotecas municipais – vi ontem, na Ribeira Brava, e estou a ver agora aqui no Tarrafal – é uma boa ideia.

É uma lógica que associa as fontes de informação tradicionais com as fontes de informação multimédia.

Exato. E potencia as primeiras. Elas vão conviver bem, e com certeza que a multimédia vai ajudar a aproximar as pessoas das bibliotecas. Por isso achei uma solução muito boa, gostei muito.

Após a grande visibilidade pública que teve na política, foi membro do governo, foi candidato à Presidência da República, a ideia que passa sobre a sua passagem por coisas públicas – e ser PCA da CVTelecom é também, de alguma forma, coisa pública – é muito mais valorizada nesta componente da gestão do que propriamente na política.

Não faço ideia, não tenho nenhuma ideia sobre isso…

Não tem saudades da política ativa?

Continuo a ter alguma intervenção política, mas também não tenho nenhuma saudade especial.

Também já fez o seu caminho político.

Não, nem por isso, e não quer dizer que não volte a fazer política ativa. Aquilo que faço procuro fazer da melhor forma e faço com gosto. Como também não é a primeira vez que estou na atividade empresarial. 

AAP

 

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